Saiba, passo a passo, como criar um e-commerce, o que é preciso para montar uma loja virtual e começar a vender produtos online

Saber como montar uma loja virtual se tornou uma preocupação para muitos lojistas nos últimos tempos. Afinal, diante do isolamento social provocado pela pandemia de Covid-19 e o impedimento de abrir lojas físicas, o e-commerce se tornou a única alternativa para manter o comércio ativo.

E mais do que uma opção de sobrevivência para os lojistas, o comércio online tem se consolidado como um meio para aumentar as vendas. Durante a pandemia, o e-commerce no Brasil quase dobrou de tamanho. 

De acordo com o Compre&Confie, as lojas virtuais brasileiras faturaram R$ 9,4 bilhões em abril de 2020, o que representa um aumento de 81% em relação ao mesmo período do ano anterior. Em relação ao número de pedidos, houve aumento de 98%.

Esses números representam uma grande oportunidade para os lojistas, mas também servem como ponto de atenção. Diante do crescimento do e-commerce, mais pessoas têm migrado para o comércio eletrônico e, assim, há uma competitividade ainda maior. 

Para superar a forte concorrência, é preciso cuidado especial ao montar uma loja virtual. A seguir, todos os passos que os lojistas precisam seguir para serem mais precisos nesse processo.

O que avaliar antes de montar uma loja virtual

Até julho de 2019, o Brasil já tinha quase 1 milhão de lojas virtuais, segundo o estudo “Perfil do E-commerce Brasileiro”, feito por BigDataCorp e PayPal. Com tantos lojistas disputando a atenção dos consumidores, é preciso ter uma preparação especial antes de criar um e-commerce. 

Veja os passos a serem seguidos antes de montar a loja virtual.

Definição de nicho de mercado

O primeiro passo antes de montar uma loja virtual é definir o nicho de atuação. Atualmente, há muitos lojistas se dedicando ao comércio de roupas. Mas, mesmo dentro desse segmento, há uma infinidade de alternativas a serem seguidas, como roupas para a prática de esportes, roupas infantis, biquínis e maiôs.

Para a definição de um nicho de atuação em que sua loja seja competitiva, é imprescindível estudar o mercado, avaliar quais são os possíveis concorrentes, quais as estratégias de precificação que eles adotam, os métodos de pagamento e as formas de entrega.

Lembre-se que a escolha por nichos de mercado pouco explorados diminui a concorrência e a chance de você ter de brigar com os grandes e-commerces pela atenção dos seus potenciais consumidores.

Porém, é recomendável montar uma loja virtual em um nicho de mercado com o qual você já tenha familiaridade. Dessa forma, ficará mais fácil se posicionar, escolher fornecedores e uma estratégia de marketing.

Ao fazer essa análise, é preciso identificar as respostas para algumas perguntas que vão nortear a gestão da sua loja virtual:

  • Quais são os produtos de maior sucesso neste nicho de mercado?
  • Quais produtos têm maior margem de contribuição para a sua lucratividade?
  • Quais produtos ganham com base no volume e não nos preços?

Essas respostas são mais facilmente encontradas quando você conhece bem o seu consumidor e seu comportamento na internet. Por isso, o próximo passo é essencial.

Definição de uma persona

Para qualquer negócio, é fundamental conhecer bem quem é seu consumidor. Somente assim as estratégias de marketing serão eficientes e você conseguirá se comunicar da melhor forma para potencializar suas vendas.

Portanto, defina quem é seu consumidor ideal a partir da criação de uma persona

Persona é a representação fictícia do seu cliente ideal. Ela é baseada em dados reais sobre comportamento e características demográficas dos clientes, assim como suas histórias pessoais, motivações, objetivos, desafios e preocupações.

Uma persona é muito mais específica do que o público-alvo. As características sobre desafios e preocupações desse cliente ideal são fundamentais para você entender como sua marca poderá apresentar soluções da melhor forma e oferecer as melhores experiências de consumo.

Com a definição de uma ou mais personas para sua loja virtual, será possível responder perguntas como: 

  • Como os consumidores costumam comprar, por que motivo, quando e onde?
  • Com quais plataformas os consumidores interagem diariamente? 
  • Qual formato de conteúdo que os potenciais clientes consomem?

Ouça a participação de Rodrigo Tucunduva, da LAHAR, no Digicast e saiba mais sobre a importância de entender bem que é seu consumidor para as estratégias de marketing e vendas:

Custos para uma loja virtual

Qual o custo para abrir uma loja virtual? Essa pergunta deve ser feita antes de qualquer ação efetiva para criar um e-commerce. E para respondê-la, devem ser considerados todos os gastos que serão necessários para lançar o novo negócio e também sustentá-lo até que as vendas comecem a acontecer da forma como foi planejado.

A análise de quanto custará para abrir a loja virtual passa pelos valores a serem gastos com a estrutura básica do e-commerce, incluindo a plataforma e recursos de TI, com a divulgação dos produtos e com a operação do e-commerce.

Portanto, analise os seguintes pontos.

Plataforma

Há plataformas de e-commerce disponíveis no mercado com preços variados. Em geral, os valores aumentam de acordo com os recursos que são oferecidos, como a quantidade de produtos que pode ser ofertada.

Nos planos mais básicos, é possível encontrar boas opções com preços inferiores a R$ 50. Já as opções mais avançadas ultrapassam os R$ 700 por mês.

Divulgação

De nada adiantará você montar uma excelente loja virtual se ela não receber visitas. Para conseguir tráfego, será necessário investir em divulgação.

As estratégias de marketing de conteúdo e SEO permitem que você consiga tráfego orgânico, sem a necessidade de pagar pela divulgação de anúncios. No entanto, essas estratégias demandam tempo para trazer bons resultados.

Dessa forma, inicialmente, é recomendável avaliar quais são as melhores opções em mídia paga e outras estratégias de divulgação.

Especialistas indicam que o orçamento para divulgação deve ser de ao menos 2% do faturamento.

Operação

Na análise de custos operacionais, devem ser considerados os gastos com fornecedores, para a manutenção de estoque, logística e pagamento de impostos. 

Para a venda de produtos, deverá ser pago o ICMS e, se for um e-commerce de serviços, o ISS.

Algumas estratégias podem ajudar a identificar os melhores fornecedores para um negócio, saiba mais sobre elas no episódio do Digicast que contou com a participação de Leonardo Cavalcanti, da Linkana:

Cuidados com a legislação

Afinal, é necessário CNPJ para abrir uma loja virtual? 

Em qualquer transação comercial, seja entre uma empresa e outra ou entre uma pessoa física e uma empresa, é preciso emitir nota fiscal. Portanto, para ter uma loja virtual, é necessário emitir notas fiscais e, consequentemente, é necessário ter um CNPJ.

Há duas principais alternativas de abertura de CNPJ para uma loja virtual: abrir uma MEI (Microempresa individual), ideal para quem tem faturamento anual de até R$ 81 mil, ou Simples Nacional (faturamento pode chegar a R$ 3,6 milhões).

Além da abertura de um CNPJ, é importante ter atenção à legislação brasileira sobre o comércio eletrônico. O Decreto 7.962 determina quais os deveres dos lojistas que atuam no e-commerce. 

Entre as principais obrigações estão:

Informações claras sobre produto e loja

Os visitantes da loja virtual devem ter fácil acesso a informação de contato, como:

  • Endereço Físico; 
  • Endereços eletrônicos; 
  • Razão Social; 
  • CNPJ;
  • Telefone.

Descrição detalhada de produtos

O consumidor deve ter o máximo de acesso a informações sobre o produto. Assim, a loja virtual deve apresentar:

  • descrição; 
  • descrição técnica; 
  • tamanho; 
  • cores; 
  • peso.

Resumo de compra antes da finalização do pedido

Antes de o consumidor finalizar a compra, é obrigatório que o e-commerce apresente a ele um resumo do pedido, com informações sobre produto, preço e pagamento.

Fornecer dados de acompanhamento do pedido

Uma vez que o e-commerce não permite a retirada imediata do produto — a não ser que haja integração com uma loja física —, a legislação determina que o lojista forneça informações de acompanhamento do pedido.

Assim, é preciso enviar um e-mail para o usuário com informações gerais sobre a compra e código de rastreamento do pedido.

Política de troca ou devolução de produtos

De acordo com a legislação brasileira, no e-commerce, o consumidor tem direito a solicitar a troca do produto ou se arrepender da compra em até 7 dias após o recebimento do pedido. 

Se isso acontecer, o lojista deverá arcar com os custos da troca ou devolução.

Com toda a preparação acima feita, é hora de partir, efetivamente, para a abertura do e-commerce. Veja, a seguir, todos os passos para montar uma loja virtual.

Passo a passo para montar uma loja virtual

Escolha de nome e compra de domínio

No primeiro passo para montar a loja virtual, é importante definir o nome do e-commerce e verificar se ninguém já está usando o mesmo nome. 

Feita essa análise, é necessário comprar um domínio para ser o endereço eletrônico da loja. Um domínio nacional registrado diretamente no Registro.br custa R$ 40 por ano e o período de renovação vai de um a 10 anos. Já um domínio .com.br no GoDaddy custa R$ 19,99 no primeiro ano e R$ 59,99 a partir do segundo.

Para a escolha do domínio, é recomendável seguir estes requisitos:

  • Junto ao nome da loja, é recomendado usar palavras que ajudam a identificar quais produtos são comercializados na sua loja, como “cosméticos” ou  “roupas”. Isso ajudará o e-commerce a ser encontrado pelos mecanismos de busca. 
  • Dê preferência a nomes curtos e fáceis de lembrar. Evite também palavras que possam gerar dúvidas sobre como devem ser escritas, o que poderá dificultar que sua loja seja encontrada na internet;
  • Para que sua loja seja priorizada pelo Google e demais mecanismos de busca, é recomendável optar por domínio .com.br, que garante melhor posicionamento regional. Se não for possível, opte por apenas .com.

Escolha de servidor

Depois de comprar um domínio, é preciso definir onde ele será hospedado. Para isso, é preciso escolher um servidor.

Nesse passo, é imprescindível ter atenção a um servidor que ofereça um bom serviço. Caso contrário, a loja virtual poderá sofrer instabilidades que prejudicarão a experiência do consumidor e, consequentemente, causarão perdas de vendas.

Portanto, avalie:

  • Capacidade de armazenamento: é importante saber se o servidor permitirá que você cadastre mais produtos à medida que sua loja crescer;
  • Limite de tráfego: caso haja uma limitação de tráfego, a loja virtual sairá do ar se aquele limite for superado. Isso é extremamente importante para não haver problemas em datas comemorativas, quando há tendência de o e-commerce receber mais visitas;
  • Suporte: ao selecionar o servidor, tenha atenção especial ao suporte que será oferecido para corrigir possíveis erros e problemas técnicos. Procure por opções que oferecem várias formas de contato e atendimento 24 horas.

Entre as principais opções do mercado, há HostGator, Locaweb e KingHost.

Definição de plataforma de e-commerce

A plataforma de e-commerce será o meio pelo qual você fará as transações com seus clientes. Portanto, ela é vital para realizar vendas.

É possível contratar plataformas que já estejam prontas ou desenvolver uma especialmente para o seu negócio. O segundo caso somente é recomendado caso você disponha de recursos financeiros para contratar bons desenvolvedores, já que essa alternativa é a mais cara.

Entre as plataformas prontas, há muitos recursos que permitem customizar de acordo com o seu negócio.

Há ainda a possibilidade de usar plataformas de código aberto, que podem ser customizadas com a ajuda de um programador.

Ao contratar a plataforma, é recomendável analisar os seguintes critérios:

  • Navegabilidade: avalia a velocidade que as páginas carregam, a disposição dos menus e a forma como os produtos são oferecidos, sempre tendo atenção especial à experiência de quem acessa;
  • Funcionalidades: a análise de dados é fundamental para identificar quais produtos são os mais vendidos e outros detalhes da loja virtual. Portanto, verifique quais recursos são oferecidos pela plataforma e se há a possibilidade de extrair relatórios;
  • Integrações: a possibilidade de fazer integrações da plataforma com outras ferramentas permite que diversos processos sejam automatizados, otimizando a gestão do e-commerce;
  • Segurança e privacidade de dados: um dos pontos que ainda afastam consumidores das lojas virtuais é o medo de que as transações não sejam seguras. Portanto, avalie se a plataforma oferece certificado SSL (Secure Socket Layer), que protege os dados fornecidos pelo usuário no cadastro e no pagamento, e se há scan de aplicação e IP, para identificar possíveis ameaças ao e-commerce.

Entre as principais opções do mercado, estão VTEX, Tray, Wix e Shopify.

Confira também CRO para varejo: como aplicar no dia a dia da operação

Configuração de template e visual da loja

Enquanto a plataforma será o local onde os clientes vão interagir com a loja, o template é o que define com a loja será vista pelos consumidores. Portanto, é preciso ter atenção especial à forma como os produtos são dispostos, às cores e às fontes que são usadas.

Outros dois pontos importante são o acesso fácil a um campo de busca e a apresentação de todas as informações sobre produto, preços, frete e formas de pagamento.

É recomendável que o template escolhido permita adequar as opções de acordo com que a loja oferece.

Definição de meios de pagamento

A maior parte das plataformas de e-commerce já trazem as formas de pagamento. Ainda assim, é importante verificar com quais métodos você pretende trabalhar e, principalmente, quais seriam as melhores opções para os consumidores.

Analise quais opções de cartões de crédito e débitos estarão disponíveis, além do boleto bancário. 

Entre as principais opções do mercado, estão Iugu, PagSeguro e Wirecard.

Cadastro de produtos

Como dissemos nos passos antes de abrir uma loja virtual, é importante analisar com quais fornecedores você trabalhará. Essa escolha afetará como será feita sua gestão de estoque e quais produtos serão ofertados.

Ao cadastrar os produtos, é importante apresentar descrições detalhadas, diversas opções de imagens do produto e, se possível, vídeos que dão mais detalhes de como o produto poderá ser usado.

Lembre-se que o consumidor do e-commerce não tem contato com o produto ao realizar a compra. Assim, quanto mais informações e imagens houver, mais fácil será sua escolha e sua experiência de compra.

A ausência de informações tende a deixar o cliente em dúvida sobre o produto ou serviço e, consequentemente, diminui as vendas.

Lembre-se também de manter um espaço para comentários, onde os consumidores poderão deixar avaliações do produto. Essas recomendações são importantes para que outros consumidores se sintam mais seguros se devem ou não comprar.

Divulgação e início de vendas

Com a loja virtual criada e os produtos já à disposição, o próximo passo é começar a vender. Porém, isso somente será possível se o e-commerce receber visitas. E para ter visitantes, obrigatoriamente, é necessário fazer divulgação.

Para trazer tráfego para a loja, é preciso escolher quais meios e canais de divulgação serão utilizados. As principais alternativas são:

  • Mídia paga: os anúncios pagos no Google e redes sociais ajudam que o consumidor encontre a loja virtual ao fazer uma busca. Isso é ainda mais importante no começo do e-commerce, quando ainda é pouco conhecido;
  • Inbound marketing: uma estratégia de oferta de conteúdos ajuda a posicionar a loja nos resultados de buscas na internet sem a necessidade de pagar por aquele espaço. Essa estratégia traz ótimos resultados em longo prazo, mas demanda tempo para que eles apareçam;
  • SEO: essa é a estratégia que otimiza as páginas do e-commerce para que os motores de busca, como o Google, encontrem mais facilmente a loja virtual e a posicione nas respostas a quem realiza buscas na internet. Ela permite atrair potenciais clientes e qualificar o público, aumentando as oportunidades de venda.
  • Redes sociais: a presença em redes sociais, como Instagram, Facebook e Pinterest, é fundamental para ser visto por consumidores, especialmente num cenário onde as pessoas passam boa parte de seus dias nessas redes. Para definir quais aquelas em que sua marca deve estar presente, é importante analisar onde seu consumidor está e passa mais tempo;
  • E-mail marketing: essa é uma estratégia importante não só para atrair consumidores, mas principalmente para alimentar um relacionamento com os clientes e assegurar que eles voltem a comprar na sua loja virtual. Os e-mails podem ser usados para anunciar promoções e lançamentos.

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Atendimento

O sucesso de uma loja virtual não vai até apenas a parte das vendas. Para que o e-commerce consiga atrair mais clientes, alimentar a relação com aqueles que já compraram e aumentar seu tíquete médio, é imprescindível contar com bom atendimento.

Identifique quais canais de atendimento devem ser oferecidos aos seus consumidores e assegure que eles receberão respostas rápidas e que solucionem seus problemas. 

Um bom atendimento pode ser um grande diferencial diante da infinidade de lojas virtuais competindo pela atenção dos usuários. Já uma experiência negativa tende a representar a perda de clientes para concorrentes.

Entre as principais ferramentas de atendimento digital disponíveis no mercado, há Zendesk, Movidesk e Octadesk.

Seguindo todos os passos para montar a loja virtual, você poderá competir por sua fatia de mercado e compartilhar das receitas cada vez maiores do e-commerce no Brasil.

Para ampliar suas vendas depois de se posicionar no comércio eletrônico, lembre-se de ter atenção especial a testes A/B, CRO e customização constante.

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