Confira a entrevista com Albert Hayfaz, do Vooozer, em que abordamos o futuro do consumo de conteúdo, com textos, vídeos e áudios

Como será o consumo de conteúdo no futuro? As pessoas ainda passarão mais tempo lendo textos ou assistirão a vídeos? Como o áudio será usado para captar todos aqueles que estão no trânsito, lavando a louça ou passeando com os cachorros?

Para responder todas essas perguntas, conversamos com Albert Hayfaz, do Vooozer, uma ferramenta que transforma textos em áudios. 


Para ouvir a 18ª edição do
Digicast, basta usar o player acima. Se preferir, você pode ler a transcrição da entrevista feita por Pedro Renan, CEO da Digilandia, logo abaixo.  

Olá! Bem-vindos ao 18º episódio do Digicast. Sou Pedro Renan, CEO da Digilandia e da Agência Papoca e seu host. 

Hoje, recebo o glorioso Albert Hayfaz, do Vooozer, para falar sobre o futuro do consumo de conteúdo.

Seja muito bem-vindo, Albert!

Valeu, Pedro. Muito obrigado pelo convite, estou muito feliz. Não esperava por esse glorioso. É um grande prazer estar aqui nesse projeto que vocês tocam. 

Meu compromisso é com a verdade. Portanto, pode acatar o glorioso como um elogio sincero.

Acho que você é um pouco suspeito para falar, afinal criou o Vooozer, justamente por acreditar no áudio como forma de conteúdo. Mas, mesmo assim, ainda não é algo 100% enraizado dentro do nosso hábito. Quais os maiores desafios que você tem encontrado com o Vooozer, que é uma ferramenta que transforma textos em áudio, e como você tem entendido o comportamento do consumidor?

Quando o Mateus e eu criamos o Vooozer em 2016, uma coisa que pensávamos é que muito provavelmente daria errado, porque ninguém fazia ainda. Pensávamos na época que era algo óbvio. Tem muito texto na internet, o dia de todo mundo continua tendo só 24 horas, e as pessoas não dão conta de ler. Mas se não estão oferecendo áudio deve ser porque não faz o menor sentido. Mesmo assim, começamos a ir atrás.

Acredito que um dos maiores desafios até hoje é convencer os produtores de conteúdo a investirem em áudio. Nos últimos quatro anos, nunca fizemos campanha B2C. A gente nunca falou para nenhum cliente fazer campanha B2C falando para as pessoas ouvirem conteúdo porque conteúdo em áudio é bom.

O áudio está enraizado na humanidade desde sempre, simplesmente vai mudando o formato de áudio ou o meio pelo qual vai o áudio ou dispositivo.

Por que as pessoas começaram a usar áudio no WhatsApp? Por que o WhatsApp fez propaganda do áudio? Não, porque simplesmente ofereceram a funcionalidade do áudio. As pessoas estavam precisando daquilo. Algumas pessoas, outras não, e começaram a usar.

Telefonema, as mesmas coisas. Hoje em dia, há um monte de videoconferência que de vídeo não tem nada. As pessoas ouvem música, ouvem rádio. O áudio sempre esteve aí enraizado. Agora os produtores de conteúdo que demoram para perceber isso. Ficam publicando texto, texto, texto. Publicam muito vídeo, porque vídeo é cool. E acabaram deixando passar a questão do áudio.

Nem culpo essas pessoas, são diferentes percepções, diferentes realidades. Se vamos olhar a história recente de um dos motivos por que os produtores de conteúdo não dão tanta ênfase ao áudio é porque o mercado evoluiu muito rapidamente.

Quando chegou a internet, as pessoas podiam colocar texto. Quando começou a ter maior penetração da internet e velocidade mais rápida de internet, as pessoas começaram a usar imagem. E, depois, o negócio cresceu exponencialmente e já dava para colocar vídeo. Então acabou pulando a questão do áudio. Essa é a leitura que a gente faz.

O principal desafio é os produtores de conteúdo publicarem áudio. Se publicarem, garanto que existe uma demanda reprimida para cada texto publicado na internet, e o áudio dará vazão para essa demanda reprimida.

O desafio de muitas inovações é o desafio da inércia, quebrar a inércia dos produtores de conteúdo.

Se faço conteúdo e já tenho uma audiência e acredito que os números são bons — as pessoas consomem conteúdo em áudio quando está no blog —, onde está o gap da pessoa não tomar essa decisão?

É algo novo, que não se ensina muito por aí. Colocando uma mea-culpa, o Vooozer mesmo poderia gerar mais conteúdo sobre isso. Então é muito desconhecido. 

Quando há uma empresa nova trabalhando com a gente em áudio marketing, a pessoa, em geral, não conhece os KPIs, os principais indicadores. Mesmo se conhecem ou a gente explica, a pessoa não tem noção de benchmark. Ela não sabe o que é um número bom ou um número que está deixando a desejar. Falta, realmente, bastante know-how. Por isso, hoje, investimos bastante nessa parte de customer success

Acredito que o gap está aí em ver que é possível e ver que pode fazer parte da sua realidade, porque na minha visão do marketing de conteúdo é que vai haver cada vez mais concorrência.

Então, se há cinco anos, você podia ter ótimo resultado em inbound publicando quatro ou oito posts por mês de mil palavras, hoje em dia, para ter sucesso no marketing de conteúdo e no inbound, você tem publicar oito artigos por mês, tem de ter artigo épico, tem de ter vídeo, áudio, infográfico, ebook, um monte de coisa.

As empresas têm de perceber que nem tudo o que está no marketing de conteúdo é só para quem é top performer ou está na crista da onda. Conforme o tempo vai passando, mesmo se você tem uma operação média, tem de estar diversificado em conteúdo, em formatos de conteúdo, em diferentes estratégias, algumas mais complexas, outras nem tanto.

Isso é essencial e, às vezes, nos baseamos muito nisso. Como você falou no começo, se a empresa X que admiro ou é minha concorrente não está investindo em áudio, deve ser porque não funciona. Se funcionasse, ela já estaria fazendo. Mas, muitas vezes, não.

Às vezes, o pequeno tem uma chance de inovar e trazer soluções diferenciadas muito maior que o grande, que já está numa burocracia em que todo processo é mais difícil de ser realizado.

Às vezes, se você é pequeno ou quer se diferenciar, vale pensar no que dá para fazer. É óbvio que nem sempre é preciso reinventar a roda, mas é bom, de vez em quando, não só copiar os outros, mas propor coisas que possam ser diferentes, principalmente conhecendo sua audiência. Um dos principais pontos é saber, de fato, o que seu consumidor quer e em que canal quer isso.

Nessa transformação digital que estamos vivendo, você acha que de fato vai existir uma forma diferente de consumo, seja áudio, vídeo ou podcast?

Acredito que a evolução do consumo de conteúdo está muito ligada à diversificação dos formatos atuais. Cada vez mais, teremos versões diferentes do mesmo conteúdo. 

O que é conteúdo que sempre falamos? É entender sua persona, entender as dores dela, o que ela precisa. A partir disso, criar uma linha editorial ou trilha de conteúdo. Você cria pautas para cada conteúdo. Depois alguém começa a realmente escrever esse conteúdo, faz uma pesquisa, busca referências, faz otimização para SEO. No geral, tudo isso é feito, num primeiro momento, com texto. E depois, você pode fazer um roteiro e um vídeo. Isso é um conteúdo.

Todo esse trabalho de pesquisa e entendimento da sua persona é criar conteúdo. Texto é formato. Vídeo é formato. Áudio é formato. São formatos e meios de comunicação. Basicamente, é pegar um conteúdo que deu tanto trabalho para fazer e diversificar.

Gary V já fala isso. Faz um podcast, grava seu podcast. Aí você tem vídeos para redes sociais. Corta e faz pílulas para o blog. Você pega outra parte e fazer o infográfico. É reutilizar o mesmo conteúdo. Não é querer enganar alguém. Muito pelo contrário. 

Quando você falou que temos de entender o que o público quer, tem de entender e ir além. Tem de entender a parcela de cada público, principalmente quando falamos de Brasil. 

No Brasil, são mais de 200 milhões de habitantes. Não importa o mercado em que está atuando, seu público não gostará só de texto ou só de vídeo ou só de áudio. Haverá gente para todos os lados.

Para o futuro, o que imagino é cada vez mais diversificar canais e formatos para um mesmo conteúdo.

Mais para frente do que isso, só consigo imaginar o filme do Matrix, em que você pluga um cabo na nuca e absorve conteúdo. Até chegar a um ponto desse, vamos continuar com texto, vídeo e áudio, bem diversificados em vários canais.

Complementado, Gary V que o Albert citou é Gary Vaynerchuk. É muito bom, um cara em que me inspiro muito e já li um livro dele e recomendo que é o Jab, jab, jab, right hook. Em português, se chama Nocaute. Ele fala sobre redes sociais e estratégias.

Isso de diversificar o conteúdo fazemos aqui, com a transcrição no blog, linkando os podcasts em outros conteúdos, soltando nas redes sociais. E lançamos o Clube da Leitura com as dicas dos livros que as pessoas dão aqui. Então você percebe que está tudo interligado. 

Dentro de um único formato de conteúdo, você consegue criar vários outros. E, com isso, “poupa seu tempo”. E também atende vários perfis. Tem gente que nunca entrou no site e só verá o podcast, assim como tem gente que entrará pelo conteúdo ou pelas redes sociais.

Certo, Albert? É isso?

Exato. Indo nessa linha, tem gente que ama ler, mas, que num certo momento, está sem tempo para ler e vai preferir ouvir no trânsito do que ficar sem consumir aquele conteúdo.

Para fechar esse tópico, uma coisa que Gary V fala muito… Sobre áudio especificamente, ele fala: “se você encarar o áudio como um formato, formatos morrem. E, eventualmente, você quebrará a cara. Se pensar no áudio como um meio, meios evoluem”. 

E é exatamente isso que o áudio fez ao longo do tempo. Ele foi evoluindo como meio de comunicação. Áudio no rádio é um formato. Áudio no iPod é outro formato. Podcast é um formato. Mas é tudo áudio. 

Temos um módulo aqui em que fugimos do tema principal para focar na vida do empreendedor e da pessoa. Depois, voltamos. É interessante compartilhar os erros e acertos ao longo da jornada e inspirar o máximo possível de pessoas ou ajudá-las a não cometer os mesmos erros. Pensando nisso, qual foi o maior erro que você cometeu como empreendedor dentro do Vooozer?

É difícil. A gente faz tanta cagada. Escolher uma só é difícil.

Tem um erro do ano passado que me incomodou bastante e aprendi muito com esse erro. Foi ser otimista demais em contratações chave. 

Fui otimista demais, deixei a ansiedade falar mais alto. Foram duas contratações que eu me deixei levar pelo meu otimismo. Furei processos que meu sócio e eu havíamos definido. Nós criamos os processos e nós mesmos furamos. E não deveríamos ter furado. O processo poderia ter evitado de a gente perder muita coisa. Poderia ter evitado perda de dinheiro, perda de tempo, uma série de coisas.

E claro, uma contratação errada envolve muitos fatores. Além de que foi ruim para o Vooozer, foi ruim para as pessoas contratadas, que, pela configuração da coisa, realmente não dariam certo. Não necessariamente foi o caso de contratar uma pessoa ruim. Não é esse o ponto.

A mesma pessoa pode performar muito bem num lugar e muito mal em outro. Depende de vários fatores e configurações.

Se tivéssemos seguido o processo certinho, teríamos pego coisas que teriam levantado uma bandeira vermelha. E teríamos evitado um belo de um erro.

Quando você fala em otimismo, você fala em otimismo de que as pessoas performariam bem ou otimismo de que vocês precisavam daquela contratação naquele momento e nada daria errado? Onde estava esse otimismo?

É um mix disso tudo. Eram pessoas que tínhamos referência. Pessoas que são boas, que já entregaram resultados, mas que não tinham atingido um certo patamar ou trabalhado especificamente num certo projeto, que era o que precisávamos muito. 

Pela pressa que tínhamos em contratar, pelo quanto que víamos que as pessoas tinham várias qualidades, pelo quanto queríamos vender mais, numa junção disso tudo, esse otimismo é uma outra palavra para ansiedade. Sou um cara ansioso e tenho de lidar com minha ansiedade diariamente. Foi também um mix de todas essas coisas.

Dentro dessa questão de erro, qual foi o seu dia mais difícil como empreendedor? 

No mundo de startups, com tanta imprevisibilidade, tem um monte de coisa que vem como natural. Não conseguir um investimento, não ser selecionado para algum programa, não fechar algum cliente que já estava para fechar há mais de um ano. Tem todas essas coisas.

Para mim, o que tende a ser mais difícil é quando o erro está totalmente em mim. Coisas que eu poderia ter evitado. Já são tantas coisas que a gente não pode controlar, que tenho de me focar bastante naquilo que posso controlar.

Qualquer dia em que eu tenha falhado muito feio em inteligência emocional foi um dos dias mais difíceis para mim como empreendedor. Falhar em inteligência emocional pode ter sido de ter levado estresse para casa que não deveria ter levado. Ou ter discutido à toa com meu sócio. Ou ter me deixado abater por alguma coisa que não era nenhum fim do mundo. Esse lidar com si mesmo. 

Também ligando em outro tópico, é muito difícil demitir alguém. Demitir alguém te faz pensar em muita coisa, refletir muito e o cuidado com as pessoas é muito difícil de lidar. 

Quando era mais novo, há alguns bons anos, tive que demitir uma pessoa. E demiti a pessoa, sem saber, um dia antes de seu aniversário. Esse, para mim, foi um dia muito difícil. Vi que tinha de estar mais atento, tinha que cuidar melhor das pessoas, prestar mais atenção nos detalhes.

Foi difícil por ter que demitir. Foi difícil por ver que errei tão feio. Foi difícil por ver que um pouco mais de cuidado poderia ter feito tudo diferente. Não que eu não iria mais demitir a pessoa porque era aniversário dela no dia seguinte, mas, talvez, eu teria esperado alguns dias, teria tocado no assunto de maneira diferente. 

Isso é muito interessante do ponto de vista do aprendizado. No episódio 17, falei com o Diego Cordovez, da Meetime, e ele disse que o dia mais difícil dele foi quando teve de demitir pessoas. Falei com o Hugo Collier, no episódio 14, e o dia mais difícil dele também tinha a ver com demissão de pessoas. E, durante essa crise de coronavírus, temos visto vários empreendedores colocando no LinkedIn que tiveram o dia mais difícil ao demitir muitas pessoas. 

Não me entendam mal. É muito bom ter esse tipo de desconforto do lado do empreendedor, porque estamos tão acostumados em ver empresas maltratarem os funcionários em diversos sentidos, física e psicologicamente, e isso, na média, ainda existe. 

Não quero fazer o empreendedor de coitado, mas quando a gente reconhece que demitir pessoas é muito difícil, isso significa que, minimamente, estamos nos preocupando mais com as pessoas e teremos cuidado redobrado em contratar, em não demitir ou garantir que elas consigam um novo emprego ou tenham um auxílio. 

Acho que se fizermos isso de maneira saudável e sustentável, as pessoas terão emprego melhor, um ambiente melhor e a empresa errará menos, porque terá pessoas mais felizes.

Acredito muito que o negócio é sobre pessoas. Uma demissão é sempre sobre as pessoas, e não sobre a gente. Elas sofrerão muito mais que a gente. Não é que o empreendedor seja coitadinho, mas se passarmos nos preocupar com discursos do coração, talvez tenhamos empresas melhores, um ambiente melhor para trabalhar e uma sociedade melhor.

Entendo bem esse seu ponto. Já tem muito no mercado e no mundo essa visão de empreendedor do mal ou chefe do mal. Tudo isso já temos presente no mundo, na cultura, nas histórias. 

Entendo o que você fala de o quanto é bom ver esse outro lado, ver empreendedores trazendo uma visão que talvez não seja tão conhecida. Ou que muita gente não acredita. Se pudermos mostrar mais disso, vai ser melhor.

Falando de coisa boa, e o maior acerto que você já teve até hoje?

O maior acerto do Vooozer foi ter tirado o Vooozer do papel. E o segundo maior acerto foi não ter desistido até hoje. 

Tinham vozes nas nossas cabeças ou de outras pessoas falando o quanto poderia dar errado. Sabíamos que existia uma chance de dar errado, mas o maior acerto foi ter tirado do papel e mirado alto. Tirar do papel, com pé no chão, mirando alto, num mix disso tudo.

Para colocar em termos práticos, tive a ideia do Vooozer há mais de quatro anos. Tive a ideia num dia que voltava para casa. Na época, ficava uma hora por dia para ir ao trabalho e uma hora para voltar. Gosto muito de ler no celular. Estava voltando para casa, lendo no celular, fui entrar no carro e tive de parar de ler. Pensei: “estamos em 2016, uma era tão moderna, e a única opção que tenho para consumir esse negócio é ler? Não posso ouvir?”

Fiquei pensando nisso. Cheguei em casa, fui pesquisar soluções e vi que havia vários aplicativos de TTS, text to speech. É a tecnologia que faz uma narrativa artificial. Os aplicativos eram ruins, demoravam e, no final, as narrações sempre eram uma porcaria. Narração robótica é boa para o Waze, para outras coisas, não para ouvir um artigo inteiro de alguns minutos.

Tinha um bloco de notas, com várias ideias. Sempre fui apaixonado por ideias. Coloquei essa ideia lá junto. Conversei com o Mateus alguns dias depois. O Mateus é meu sócio até hoje. Na época, trabalhávamos juntos em outro lugar. Contei para ele, que não deu muita bola. Também fiquei meio assim, ninguém estava fazendo ainda. 

Até que um dia fui contar essa ideia para outro amigo. Esse outro amigo pirou, achou o máximo. Na época, ele já estava mega empolgado com um projeto dele mesmo, também tocando uma startup. E isso me deu muito gás.

Agradeço até hoje o Ramon, que me deu toda essa energia. Falei com o Mateus de novo. Fomos conversando. O Mateus se deixou levar pela empolgação do Ramon. Conversamos os três e decidimos tirar do papel. Esse foi um dos maiores acertos, ter tirado do papel.

Quando falo em não desistir é simplesmente não desistir, continuar indo. E mirar alto, na prática, foi quando partimos direto para a Resultados Digitais querendo apresentar, sem ter MVP. Eles deram abertura e foi incrível.

Pensamos: “se queremos fazer um negócio, que seja muito bom. Quem poderá falar se é realmente muito bom? Quem está em cima e já é top performer”. 

Fomos para cima deles. E esses foram meus principais acertos até hoje.

Há muito isso no empreendedorismo. Tive a ideia do Facebook, do YouTube, disso e daquilo, mas, se não executar, alguém executará por você. Alguém vai fazer, seja você ou não, de um jeito ruim ou melhor. Quando você inova, assume todos os riscos, mas a execução é que manda no jogo. Há inúmeros exemplos disso.

Principalmente para quem está começando, não tem tanta grana, é uma empresa pequena, há mais dias ruins do que bons. Há mais dificuldades do que acertos. Então, realmente, tem de estar com a inteligência emocional em dia para conseguir empreender. Não é tão simples quando se parece.

E um erro que dá para evitar é guardar a ideia para você. Até antes da execução. Um ponto chave é falar com outras pessoas. Muita gente tem medo de que vão roubar a ideia ou que alguém vai copiar.

Ideia não tem dono. Ideia é do mundo. Olhe com quem você vai compartilhar, mas compartilhe. Se eu não tivesse compartilhado essa ideia com o Ramon, talvez não teria Vooozer hoje. Compartilhei com ele a ideia, houve uma troca, peguei a empolgação dele e fomos adiante.

Se você quer que, realmente, sua ideia dê certo, jogue no mundo. Só assim para outras pessoas apoiarem, criticarem, para você aperfeiçoar e trabalhar da melhor maneira possível.

Lembro que vocês fizeram uma longa pesquisa no Vooozer para entender a forma de consumo do conteúdo em áudio. Pode compartilhar um pouco desses dados? E quais dicas você daria para empresas que querem reformular a forma como se comunicam como seu público? 

Essa dica foi de um amigo em comum nosso, o Michel Vaz. Eu estava muito empolgado para começar MVP e coisas assim, e ele falou: “vai fazer pesquisa. Faça pesquisa o quanto antes”. 

Fizemos pesquisa tanto na rua, em São Paulo, na Avenida Paulista, como também pela internet. Queríamos saber mais sobre os hábitos das pessoas. Hábito de consumo de conteúdo digital.

Na época, vimos que mais de 90% das pessoas liam na internet pelo menos uma vez ao dia, 40% das pessoas liam mais do que três vezes ao dia e, mesmo com as pessoas lendo tanto, 73% das pessoas falavam que não conseguiam ler tudo o que gostariam na internet. Depois, quando atualizamos essa pesquisa, vimos que o número foi para 83% das pessoas. 

E tem essa parte chave da pergunta: o que você gostaria de ler? Não é falta de interesse.

Fomos perguntar quais eram os motivos, e os principais motivos para as pessoas não lerem tudo o que gostariam era falta de tempo ou de disposição. 

O que vimos: as pessoas estão lendo, mesmo assim não conseguem, o motivo é falta de tempo ou energia. Então, a gente viu que o áudio poderia ser uma solução. As pessoas poderiam ouvir em momentos que não podem ler. 

O brasileiro, em média, passa duas horas e meia por dia no trânsito. Se não tem conteúdo em áudio, você nem compete pelo market share do tempo que as pessoas passam no trânsito. Ainda há o tempo que a pessoa está passeando com o cachorro, lavando a louça, arrumando a casa. Vimos que o áudio poderia ser uma bela solução.

Aprofundando nisso, perguntamos para as pessoas se elas gostariam de ouvir conteúdo. A maioria nem deu bola. Falaram que nem queriam ouvir. Mas vimos que era por falta de oferta, e não porque não queriam. Da mesma maneira que Steve Jobs e Apple lançaram o iPod quando ninguém pedia o iPod. 

E aprofundando um pouco mais, fomos na comparação entre voz robótica e narração humana. Narração humanada deu de 10 a 0. A maioria preferia narração humana. Uma parcela pequena era indiferente. Uma parcela muito pequena preferia robô.

Também vimos que afetava tanto homem quanto mulher. Nas faixas etárias, também não variava muito. 

Por isso que hoje, quando vamos conversar com alguém sobre um projeto de áudio marketing, sendo muito sinceros, nem perguntamos quem é a persona da empresa. É indiferente quem é a persona, se é dona de casa, se é empreendedor, se é jovem ou mais velho. Não perguntamos porque não faz diferença.

Qualquer público-alvo de empresa terá parcela significativa de pessoas que não vai ler tudo o que gostaria de ler. E essa mesma parcela de pessoas terá acesso à internet e um dispositivo no qual ela poderia ouvir. 

Estamos falando de mais de 160 milhões de linhas 3G e 4G no Brasil, e mais de 200 milhões de smartphones no Brasil. Ou seja, está todo mundo apto a ouvir conteúdo online.

Isso é muito interessante. Sobre quando Steve Jobs lançou o iPod, teve aquela frase famosa do Ford, que se tivesse feito o que os usuários estavam pedindo, teria feito cavalos mais rápidos. Mas ele criou o carro.

É uma linha muito tênue que temos dificuldade de entender. É óbvio que você precisa conhecer seu usuário, conhecer os hábitos dele, saber onde ele está. Porém, não necessariamente, você precisa dar a solução que ele está pedindo. Aí que vem a inovação, a criatividade e a execução da ideia. 

Você tem um insight, viu qual é a dor e o problema. E a partir disso, você cria uma solução para aquilo. Aquilo que você falou da voz robótica é a mesma solução do problema, mas é uma solução ruim. Quando você vem com o Vooozer, vem com uma solução boa.

Nessa parte, mudamos muito. O conceito continua o mesmo: ouvir em vez de ler. Mas nessa parte que você falou, fomos moldando muita coisa. 

No início, achávamos que o Vooozer seria uma plataforma de áudio, com várias funcionalidades e que todas as empresas iriam se virar para narrar os conteúdos. Ou eles pediriam para os redatores narrar ou contratariam um freela para narrar, e fomos vendo que isso não acontecia. Fomos pesquisando mais o mercado e vimos que eles gostariam de contratar narradores direto com a gente, para não ter de se preocupar com outro fornecedor ou com quem iria narrar aquilo. 

Fizemos um marketplace aberto. A pessoa poderia encomendar um áudio. Vinha um narrador e narrava. Vinha outro e narrava. E ele escolhia qual queria. Depois, vimos que nem isso as empresas queriam fazer. Aí chegamos no modelo que está hoje, com um marketplace fechado. 

Todos os narradores seguem uma metodologia de narração que Mateus e eu desenvolvemos. E as empresas, simplesmente, pedem uma narração. E recebem uma narração com uma qualidade ótima. Não tem nem que se preocupar com quem está narrando. Fomos pegando feedback e mudando.

Por isso que se fala muito de MTP (Massive Transformative Purpose). Qual é seu grande propósito como startup? 

Essa linha que você seguirá. Áudio para facilitar o consumo de conteúdo. Qual vai ser o modelo de negócio? Qual vai ser a cobrança? Qual vai ser a qualidade? Qual vai ser a dinânica? Como você vai vender? Tudo isso você vai mudando. 

Só uma curiosidade: a forma que consumo conteúdo é engraçada, porque nem todo mundo consome da mesma maneira. Você tem de dar as opções. Não consigo ficar no computador ou deitado ouvindo um podcast. Não consigo.

Sento no sofá e leio. Sento no computador e leio, mas não consigo fazer isso com áudio. Ou escuto quando estou trabalhando, vou caminhar ou correr. Mas não consigo fazer se for parar para isso. É um bloqueio. Por isso, o trânsito é bom. Se estou na viagem ou no avião. Tudo isso funciona. Cada pessoa vai entender a melhor maneira que se adequa. 

Indo para a última parte, você tem uma dica de livro?

Você não vai me fazer sugerir só um livro? Pensando de coisas leves para ler. Nem só de desenvolvimento pessoal vive o ser humano. Recomendo muito Luís Fernando Veríssimo. As coletâneas de crônicas dele são muito boas. Eu me apaixonei por crônicas quando era moleque, que li Comédias Para se Ler na Escola

Hoje, outros (livros) que gosto bastante são As Mentiras que os Homens Contam e Todas as Histórias do Analista de Bagé.

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Todas as Histórias do Analista de Bagé

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Basicamente, Luís Fernando Veríssimo não tem erro se você quer algo leve e divertido.

E de desenvolvimento pessoal, Descubra Seus Pontos Fortes

É um livro que gosto muito. Não é um livro de autoajuda, é um livro empírico. É um trabalho do Instituto Gallup, em que eles entrevistaram milhões de pessoas para identificar características de qualidade das pessoas. Inclusive, há um teste que você pode fazer que ajuda a descobrir mais sobre você mesmo. Autoconhecimento é um dos conhecimentos subvalorizados, mas está mudando. 

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Se alguém quiser ir um pouco mais longe, recomendo How to Stubbornly Refuse to Make Yourself Miserable About Anything – Yes, Anything!

Esse é um livro do Albert Ellis, que é criador da terapia racional emotiva comportamental, o que hoje as pessoas chamariam de hacks. Ele dá várias dicas práticas de como você pode lidar com situações do dia a dia, para, realmente, se negar a ficar revoltado, triste ou chateado com situações e conseguir contornar.

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E dicas de filme ou série. Tem algum ou alguns?

Aí começaria e não pararia mais. No Netflix, tem um seriado que assisti com minha esposa e gostamos bastante. Chama Fargo. Não é o filme. É o seriado Fargo na Netflix.

São histórias mirabolantes de como pessoas comuns acabam se envolvendo em crimes. Tem um que é de comédio, um toque de irmãos Coen. É bem legal.


Tenho assistido e já terminei
Peaky Blinders, que achei muito bom também. Está mainstream no Brasil. Não assisti Fargo, mas pegando esse teaser de pessoas comuns que chegam ao poder ou ficam ricas. Tem muito disso no Peaky Blinders, como o poder mexe com você, como que você nunca está satisfeito e isso acaba muito indo para a vida. 


Dificilmente, estamos satisfeitos com o que temos. Ficamos dando voltas e voltas, e, depois, descobrimos que o objetivo que tínhamos não era bem aquilo que daria o prazer. 

Lembro que no episódio 3, falei com a Amanda, do Trello, e ela falou sobre montanhismo, que ela pratica. Ela fez um documentário. Você demora um mês se preparando para isso. Demora mais três semanas para escalar. Chega no cume, fica meia hora e tem de descer. Se você não curtir a jornada, o momento até chegar ao objetivo, é muito provável que ao chegar ao objetivo, você fique extremamente infeliz. Quando você chega lá acabou. 

Gosto muito de rap e tem uma música do Don L. Sou de Natal, mas morei no Ceará a minha vida quase toda, então acabo dizendo que sou cearense. Tem uma música que chama Aquela Fé, que ele fala muito sobre como estamos buscando coisas. Ele fala de ciclos, insanidade, que damos voltas e voltas no mundo e depois queremos voltar ao que já tínhamos no começo. Convido todos a ouvir essa música com a mente aberta, que é legal também.

Concordo totalmente com você sobre essa questão da jornada. Sei que muita gente acha que é clichê. Que seja clichê, não importa. É algo que é muito verdade.

O Mateus e eu, nos últimos anos, falávamos sobre isso. Eu falava: “cara, sei que a gente ainda não chegou onde queríamos, sei que a empresa ainda não para em pé, que pode dar errado, mas estou curtindo pra caralho tudo o que estamos fazendo. Com certeza, é uma das melhores épocas da minha vida e vou lembrar disso pra sempre. É muito aprendizado, muito erro”.

Parar e viver o momento, estar satisfeito com o que você está fazendo, com o esforço sempre despendido, é algo muito chave também. 

Trabalhei com meu pai também numa época em que poderia ter ido seguir uma carreira no mundo digital, não quis. Fui trabalhar com ele em outra coisa. Eu sabia que não ia fazer minha carreira lá, que não trabalharia com ele para o resto da vida, mas queria ter aquela experiência, queria aquilo na minha jornada. E é um momento que não me arrependo. Aprendi muito. Muita coisa trago comigo para a vida e aplico até hoje no Vooozer, que é um negócio digital.

Estar satisfeito com estar tentando, isso por si só já é uma grande conquista.

E tem alguma dica de meio de conteúdo que você consome? Pode ser podcast, blog, twitter…

TikTok é muito divertido. Tenho visto algumas coisas no TikTok realmente divertidas. E é legal que no TikTok já há pessoas gerando conteúdo didático. Tem um cara que fica falando muito sobre o algoritmo do TikTok. é muito interessante.

Se é para dar uma sugestão de algo sobre aprendizado, acredito que são documentários. 

Documentário, acho que é um formato subvalorizado ainda. Tem documentários muito bons na Netflix. E tem um serviço de streaming só de documentários, que é Curiosity Stream. Se não me engano, foi criado pelo fundador do Discovery Channel.

Vejo que o Discovery Channel abriu muito espaço para conteúdos do tipo de documentários, com conteúdo didáticos, aprofundados. Mas vejo que ainda hoje, com boom da Netflix e tantos conteúdos de entretenimento, acabou perdendo uma força novamente. 

O Curiosity Stream é um lugar muito legal para encontrar documentários excelentes, sobre todo tipo de assunto. 

Albert, em todo papo que tivemos, teve alguma pergunta que não fiz que você gostaria de deixar como mensagem para o pessoal?

Não há uma pergunta específica, mas algo voltado para a questão da inércia que falamos, mas não tanto quanto poderíamos.

Falaria para quem trabalha com conteúdo, com inbound, para tentar romper essa inércia, questionar até as coisas mais básicas. E quando falo as coisas mais básicas é até, por exemplo, métricas de texto. Tem empresa que produz 30 textos por mês. Tem empresa que publica muito mais e nem sabe o quanto esses textos estão sendo consumidos. Ao ponto, que você for investir em vídeo ou áudio, por meio dos players, você consegue ter muito mais métricas, para saber realmente o consumo.

Você pode pegar o consumo do áudio e usar esses dados para retroalimentar sua estratégia de texto. Se há uma parte do áudio onde está tendo maior desistência, poderia usar essa informação para checar no texto uma parte que pode não estar tão boa. Posso pegar e melhorar esse texto.

Faz parte de quem trabalha com digital rever os conceitos continuamente, e reveja a inércia também. Tem gente que não pensa duas vezes de passar de oito conteúdos mensais para 16. Mas se você chega para essa pessoa e fala para trabalhar com áudio, por exemplo, ela fica relutando como se você tivesse falando algo que não tem nem pé nem cabeça. Revejam seus conceitos e as inércias que você pode ter na sua empresa. 

Só um complemento a isso. No episódio 2, falamos com o Alan, da Phidata, e, no episódio 5, com o Thiago, da MyMetric. Ambos trabalham com Analytics e conseguem ajudar bastante com dados e métricas, seja do site, do produto ou até mesmo do conteúdo. São episódios muito bons para ouvir, e empresas muito legais para conhecer. E ambas estão no Clube de Desconto.

Agora, momento jabá. Se quiser falar da empresa, de você, dos projetos pessoais, dar sites, links, arrobas para as pessoas seguirem é agora…

Para quem estiver interessado em alavancar sua estratégia de marketing de conteúdo e de inbound, seja para aumentar engajamento, aumentar tempo na página ou SEO, gerar mais leads ou conhecer melhor os leads, recomendo que entre no nosso site: vooozer.com

Lá, vocês poderão encontrar mais sobre o nosso trabalho, sobre casos de sucesso. Nos casos de sucesso, dá para ver que atendemos tanto empresas top performers quanto empresas médias e empresas que não têm marketing de conteúdo de outro mundo, e geramos resultados muito satisfatórios para eles.

Se você já tem conteúdos que são de sucesso, artigos de blog que já geram tráfego orgânico principalmente, está havendo muito desperdício. Tem muita gente visitando e que não está lendo. Bora pegar e oferecer o áudio para aumentar o alcance desse conteúdo.

Não tem que substituir o texto por áudio ou por vídeo. Não estamos numa época em que você tem de escolher entre um e outro. Estamos numa época que temos de diversificar para gerar os melhores resultados.

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