Entenda como a telemedicina pode impactar na relação entre profissionais de saúde e pacientes e quais ações já têm sido adotadas

Durante o isolamento social provocado pela pandemia de Covid-19, várias organizações precisaram se adaptar ao trabalho remoto. Com o apoio de diversas ferramentas que podem ser acessadas a partir de qualquer lugar, essas empresas puderam se adequar à nova rotina sem grandes impactos. Mas e o que acontece com o setor de saúde quando o mais recomendado é que haja a redução do contato interpessoal? A resposta para essa pergunta passa pela telemedicina.

A possibilidade de realizar atendimentos médicos a distância se tornou uma forte aliada no combate ao coronavírus e, desde abril de 2020, ganhou respaldo legal. Em meio à crise provocada pela pandemia, o presidente da República sancionou a lei que autoriza o uso da telemedicina.

Essa prática, já difundida nos Estados Unidos e na Europa, é discutida há muitos anos no Brasil. Uma resolução publicada pelo Conselho Federal de Medicina em 2002 (nº 1.643) apresentava conceitos sobre a telemedicina, mas, até agora, era vetada no país, e os médicos que a praticassem poderiam sofrer punições por parte do conselho profissional. 

Por enquanto, a telemedicina somente está autorizada enquanto durar a crise do novo coronavírus. O presidente vetou do texto original, que havia sido aprovado pelo Congresso, o trecho que previa que, após o período da pandemia, o Conselho Federal de Medicina regulamentaria a telemedicina. A justificativa é que a atividade deve ser regulada por meio de lei, ou seja, por proposta que passe por aprovação do Congresso Nacional.

Em meio às discussões sobre vantagens e desvantagens da telemedicina, está aberta agora a possibilidade de a transformação digital impactar efetivamente a forma como médicos e profissionais de saúde trabalham. A seguir, detalhamos como isso deve ocorrer e quais ações já têm sido tomadas no setor com o apoio da tecnologia.

O que é a telemedicina e como funciona?

Conforme previsto na lei brasileira, a telemedicina é definida como “o exercício da medicina mediado por tecnologias para fins de assistência, pesquisa, prevenção de doenças e lesões e promoção de saúde”. 

No Brasil, essa modalidade é usada no atendimento pré-clínico, de suporte assistencial, de consulta, monitoramento e diagnóstico no Sistema Único de Saúde (SUS) ou na rede privada. 

Com o apoio de recursos tecnológicos que garantam a integridade, segurança e sigilo das informações, o atendimento médico a distância pode ser feito diretamente entre médicos e pacientes. 

Embora tenha passado a ter mais destaque como alternativa para o combate ao coronavírus, a telemedicina também pode ser usada para outros fins, como o monitoramento de pacientes com doenças crônicas estáveis.

A lei obriga que os médicos que optem pelas consultas a distância devem informar os pacientes sobre todas as limitações da prática. Todas as consultas sejam registradas em prontuário clínico com indicação de data, hora, tecnologia utilizada e o número do Conselho Regional Profissional do médico e sua unidade da federação.

Os médicos podem emitir receitas e atestados médicos a distância, desde que assinados com certificado digital no padrão da Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira – ICP-Brasil.

Não há uma orientação do Conselho Federal de Medicina em relação ao valor das consultas na rede privada de saúde, mas a lei sancionada em abril diz que “a prestação do serviço de telemedicina deve seguir os padrões normativos e éticos usuais do atendimento presencial, inclusive em relação à contraprestação financeira pelo serviço prestado, não cabendo ao poder público custear ou pagar por tais atividades quando não for exclusivamente serviço prestado ao Sistema Único de Saúde (SUS)”.

Com a previsão da prática na legislação brasileira, há a expectativa de que os atendimentos sejam mais acessíveis, sem que as pessoas precisem sair de casa a cada consulta médica. Afinal, com o uso de computadores, notebooks e smartphones, é possível que médicos atendam e façam diagnósticos e prescrições a pacientes a partir de qualquer lugar.

Possibilidades de atuação da telemedicina

Até a aprovação da lei que autoriza a prática de telemedicina, grande parte dos esforços de atendimento a distância se concentravam em receber uma segunda opinião médica. 

No caso de laudos a distância, um profissional técnico realiza o exame de imagem, que é posteriormente enviado para o médico especialista para a avaliação.

De acordo com o portal Brasil Telemedicina, há cinco possibilidades de atuação da telemedicina em situações epidêmicas:

Teleconsulta

Oferecer orientação médica online para pacientes assintomáticos que morem ou tenham visitado o local afetado pela epidemia, para informá-los dos riscos e alertá-los quanto à prevenção.

Telemonitoramento assintomático

Depois da teleconsulta, monitorar remotamente a saúde de pacientes assintomáticos.

Telemonitoramento sintomático

Monitorar, integralmente, casos sintomáticos que precisem de isolamento. 

Teleperícia

Quando a infraestrutura médica local não possuir a perícia técnica para o diagnóstico ou tratamento de um paciente, é necessário o apoio de centros de referência, com profissionais especialistas disponíveis para acompanhar o caso.

Teleassistência para hospitais em quarentena

Fornecer o acompanhamento a hospitais e unidades de saúde em quarentena, para que, com base na telemedicina, os pacientes que não podem acessar a unidade continuem recebendo apoio médico.

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Vantagens da telemedicina

O encurtamento de distância e a possibilidade de oferecer atendimento médico a pessoas que estão em lugares pouco acessíveis é uma das principais vantagens da telemedicina. Veja, a seguir, outros benefícios trazidos por essa prática.

Atendimento mais acessível e diminuição de demanda em grandes centros

Ainda que os pacientes não tenham contato direto com médicos, há uma expectativa positiva em relação à reação dos pacientes atendidos por telemedicina, sobretudo por vantagens logísticas e atendimento mais ágil. 

Com o uso de equipamentos tecnológicos, o paciente pode ter acessar ao seu médico de forma mais rápida, sem se preocupar ter se locomover até o consultório ou hospital. 

Esta alternativa evita que pessoas de cidades do interior em busca de atendimento médico se desloquem até as capitais estaduais. Consequentemente, os grandes centros são beneficiados com a diminuição da grande demanda no sistema convencional. 

Redução de custos para pacientes e instituições de saúde

Um dos recursos proporcionados pela telemedicina é a possibilidade de ter acesso a um grande número de especialistas sem que a instituições de saúde precise mantê-los no seu quadro de funcionários. 

Além de promover a redução de encargos trabalhistas e a descentralização da assistência, a telemedicina permite que as clínicas e os hospitais possam oferecer um portfólio maior de especialidades aos seus pacientes.

Para os pacientes, não há a necessidade de arcar com os custos da locomoção até o local de atendimento. Essa é considerada uma vantagem mais expressiva para pessoas que estão distantes dos grandes centros, onde, usualmente, estão localizados mais especialistas.

Exemplos de uso da telemedicina no Brasil

Inicialmente, a lei sancionada durante a pandemia de Covid-19 autorizou o uso da telemedicina apenas durante a crise provocada pelo coronavírus. Contudo, o Conselho Federal de Medicina já discutiu nos últimos anos formas de regulamentar o atendimento médico a distância viabilizado pela tecnologia.

Ainda que questões de logística possam favorecer diminuição de custos, as empresas de saúde devem se preparar para investimentos em tecnologia se quiserem usufruir dos diferentes recursos de telemedicina.

Entre as discussões abordadas pelo CFM nos últimos anos, estão as telecirurgias, realizadas com auxílio de um robô operado por um médico distante do local em que é realizado o procedimento. Elas ainda são raras no Brasil e demandam um médico presencial, responsável por operar a estrutura robótica.

Entretanto, a telemedicina já é aproveitada por algumas instituições de saúde no país, como podemos ver nos dois exemplos a seguir.

Hospital Albert Einstein

O Hospital Albert Einstein desenvolveu uma infraestrutura de TI própria que permite que seus profissionais de saúde auxiliem no atendimento a pacientes em lugares remotos.

Os serviços de telemedicina ofertados pelo Hospital Israelita Albert Einstein, com suporte 24 horas por dia, 7 dias por semana, envolvem tratamento de crônicos, melhoria da educação alimentar, cuidados com o bebê e opinião especializada para melhores diagnósticos.

No vídeo institucional abaixo, publicado em 2018, o Hospital Albert Einstein explica como a prática de telemedicina estava sendo desenvolvida na instituição até aquele ano.

Amil

Maior empresa de convênios médicos do mercado nacional, a Amil antecipou o plano de levar o serviço de telemedicina a todos os 3,6 milhões de clientes da companhia.

“Trata-se do maior programa de telemedicina do país, em um momento crucial para reduzir o número de atendimentos nas estruturas físicas dos hospitais”, afirmou Daniel Coudry, CEO da Amil.

Com possibilidade de expansão, já são realizados 6 mil atendimentos a distância por dia. A empresa usa a própria infraestrutura já existente para disponibilizar consultas com hora marcada, por vídeo, com médicos e outros profissionais de saúde de sua rede própria e credenciada, para todos os seus usuários e todas as categorias de planos. 

Alô Doutor

A telemedicina tem auxiliado também empresas que buscam oferecer atendimento médico aos seus colaboradores sem que precisem enfrentar filas ou fazer deslocamentos desnecessários a pronto-socorros.

Numa dessas iniciativas, a Proativa Consultoria de Benefícios e Seguros criou o programa Alô Doutor. “Entendemos que a telemedicina é uma grande aliada das empresas na gestão de saúde de seus colaboradores. Para isso acontecer, a saúde tem de estar na cultura e pauta da empresa. E, por isso, criamos o O Alô Doutor, que funciona como um ambulatório digital, sendo o ponto de contato dos funcionários com qualquer tema de saúde”, explica Michel Wajs, sócio-executivo da Proativa Consultoria de Benefícios e Seguros.

“Acreditamos que a telemedicina e os programas de saúde que podem ser feitos remotamente, para acompanhar o pré-natal de uma gestante, ter uma consulta com nutricionista e uma segunda opinião médica, ou até mesmo receber dicas de como os funcionários podem sair do sedentarismo”, acrescenta.

Confira, no vídeo a seguir, como o Alô Doutor tem auxiliado empresas no udo da telemedicina para contribuir para a saúde de seus funcionários.


Diante de novos avanços tecnológicos, há a perspectiva de que a telemedicina possa oferecer ainda mais recursos aos profissionais de saúde nos próximos anos.


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