Embora muitos gestores ainda convivam com o receio de que seus colaboradores mantenham alta produtividade ao trabalharem remotamente, estudos e pesquisas mostram que a eficiência no trabalho é uma das principais vantagens do home office. No entanto, o excesso de produtividade pode se tornar um vilão para a saúde mental desses profissionais.

“O fato é que é fácil transformar o trabalho em seu hobby favorito. (…) E se o trabalho consome muito tempo, o trabalhador está mais próximo do burnout. Isso é verdade mesmo se a pessoa amar o que faz”, alerta o livro Remote, uma das principais publicações sobre trabalho remoto.

A síndrome de burnout não é uma particularidade do home office. Infelizmente, muitos profissionais passaram a conviver com ela nos últimos anos atuando em escritórios. O ponto de alerta para o trabalho remoto é justamente o que é abordado em Remote: quando trabalham em casa, muitas pessoas perdem o controle sobre sua rotina de trabalho, vão além do que deveriam e sofrem com os sintomas de burnout.

Segundo pesquisas realizadas pelo ISMA-BR (International Stress Management Association), 30% dos profissionais brasileiros sofrem de burnout. Consequentemente, a síndrome pode levar ao afastamento do trabalho, além de causar úlceras, diabetes, aumento no colesterol e outros problemas de saúde.

Para evitar que mais pessoas sofram de burnout, apresentamos, a seguir, mais detalhes sobre a síndrome, quais são os sintomas, como tratá-los e o que deve ser feito para a prevenção.

O que é a síndrome de burnout?

Segundo o Ministério da Saúde, “Síndrome de Burnout ou Síndrome do Esgotamento Profissional é um distúrbio emocional com sintomas de exaustão extrema, estresse e esgotamento físico. Esse quadro é resultante de situações de trabalho desgastante, que demandam muita competitividade ou responsabilidade. A principal causa da doença é justamente o excesso de trabalho”.

O transtorno está registrado no grupo 24 do CID-11 (Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde) como um dos fatores que influenciam a saúde ou o contato com serviços de saúde, entre os problemas relacionados ao emprego e desemprego.

O burnout não está relacionado somente a atividades de trabalho que já são desempenhadas. A síndrome também pode acontecer se houver a sensação pelo profissional, por algum motivo, de que ele não será capaz de cumprir objetivos de trabalho considerados muito difíceis.

Ainda que os próprios profissionais devam ter preocupação especial com a saúde mental, deve ser compromisso das empresas garantir que todos os seus colaboradores consigam desempenhar suas atividades de forma saudável.

“As pessoas importam muito. E quanto mais você se importa com as pessoas e elas conseguem ser melhor com elas mesmas, elas conseguem ser melhores para a empresa também. Essa é uma mentalidade que precisamos repetir e lembrar”,  Lucas Morello, sócio-fundador na Scalout Marketing de Performance e na remotebox, em sua participação no episódio 12 do Digicast.

Além de causar outros danos à saúde, a síndrome pode levar a um estado de depressão. Por isso, é essencial procurar apoio profissional no surgimento dos primeiros sintomas.

Quais são os sintomas da síndrome de burnout?

O sintoma principal da síndrome de burnout é a sensação de esgotamento físico e emocional. Dois indicativos comuns do início da doença são o estresse e a falta de vontade recorrente de sair da cama ou de casa. 

Os principais sinais e sintomas que podem indicar a Síndrome de Burnout são:

  • Cansaço excessivo, físico e mental;
  • Dor de cabeça frequente;
  • Alterações no apetite;
  • Insônia;
  • Dificuldades de concentração;
  • Sentimentos de fracasso e insegurança;
  • Negatividade constante;
  • Sentimentos de derrota e desesperança;
  • Sentimentos de incompetência;
  • Alterações repentinas de humor;
  • Isolamento;
  • Fadiga;
  • Pressão alta;
  • Dores musculares;
  • Problemas gastrointestinais;
  • Alteração nos batimentos cardíacos.

Geralmente, os sintomas surgem de forma leve, mas tendem a piorar com o aumento do estresse no trabalho. Assim, a síndrome pode parecer passageira. Entretanto, o seu agravamento traz problemas mais sérios para a saúde.

Caso você ou alguém que conheça apresente os sintomas relacionados acima,  é fundamental buscar apoio profissional para que haja um diagnóstico correto e, consequentemente, seja indicado o tratamento mais adequado.

O diagnóstico da síndrome de burnout é feito por profissional especialista após análise clínica do paciente.

O psiquiatra e o psicólogo são os profissionais de saúde indicados para identificar o transtorno e orientar a melhor forma do tratamento, conforme cada caso.

Caso o profissional que sofra de síndrome de burnout não tenha acesso a plano de saúde ou não possa pagar por auxílio médico, é possível recorrer ao Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo o Ministério da Saúde, a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) está apta a oferecer, de forma integral e gratuita, todo tratamento, desde o diagnóstico até o tratamento medicamentoso.

Confira um relato sobre como a busca excessiva pela produtividade pode levar à síndrome de burnout:

Como é o tratamento da síndrome de burnout?

O tratamento da síndrome de burnout inclui o uso de antidepressivos ou ansiolíticos e psicoterapia. O prazo para que o transtorno seja tratado depende de cada caso.

Além do acompanhamento médico, atividade física regular e exercícios de relaxamento ajudam a aliviar o estresse e controlar os sintomas da doença. 

Diversos profissionais que participaram do Digicast relataram como as atividades físicas ajudam a melhorar seu desempenho no trabalho. Amanda Alvernaz, do Trello, relatou como o montanhismo tornou sua rotina mais agradável.

“Quando consegui fazer várias coisas durante o fim de semana, conquistei um cume, que é como falamos quando escalamos o topo da montanha, chego com uma energia em que consigo produzir mais, tudo faz mais sentido. Realmente, tudo o que você faz em paralelo no trabalho, quase que andam em paralelo e ajudam um ao outro”, destacou.

Diego Cordovez, da Meetime, é praticante de triatlo. “Acho que calma e paciência são ferramentas e virtudes que esse esporte está me ensinando na marra e que carrego na minha trajetória para empreender e ter sucesso. Você precisa dar tempo para algumas coisas”, comentou. 

Além de ajudar no tratamento da síndrome de burnout, as atividades físicas ajudam a prevenir que esse transtorno e outros problemas de saúde relacionados ao trabalho aconteçam.

Como prevenir a síndrome de burnout?

Especialistas em saúde mental indicam que a melhor forma de prevenir a síndrome de burnout é a adoção de hábitos que diminuam o estresse e a pressão no trabalho. Essas condutas saudáveis evitam o desenvolvimento da doença.

O Ministério da Saúde recomenda como as principais formas de prevenir a Síndrome de Burnout:

  • Defina pequenos objetivos na vida profissional e pessoal.
  • Participe de atividades de lazer com amigos e familiares.
  • Faça atividades que “fujam” à rotina diária, como passear, comer em restaurante ou ir ao cinema.
  • Evite o contato com pessoas “negativas”, especialmente aquelas que reclamam do trabalho ou dos outros.
  • Converse com alguém de confiança sobre o que se está sentindo.
  • Faça atividades físicas regulares, como academia, caminhada, corrida, bicicleta, remo ou natação.
  • Evite consumo de bebidas alcoólicas, tabaco ou outras drogas, porque só vai piorar a confusão mental.
  • Não se automedique nem tome remédios sem prescrição médica.
  • Descanse adequadamente, com pelo menos 8h diárias de sono.

Confira também: Como alcançar a qualidade de vida no trabalho remoto

Aplicativos que ajudam na saúde mental e na qualidade de vida no trabalho

A tecnologia permitiu o desenvolvimento de diversas ferramentas úteis para o home office e o trabalho remoto. Além disso, trouxe ainda diferentes aplicativos que nos permitem ter uma melhor qualidade de vida. 

A seguir, listamos alguns apps que promovem a saúde mental.

Happify

Com o apoio de especialistas em psicologia cognitivo-comportamental, Happify é um aplicativo que carrega diversas atividades, exercícios e jogos rápidos para aumentar os níveis de felicidade. 

Os desenvolvedores afirmam que 86% dos usuários se sentem mais felizes em dois meses de utilização do programa. O app também oferece meditações guiadas e rastreadores de progresso.

Headspace

Headspace é um dos apps mais populares de meditação, com exercícios voltados para ansiedade, sono, crises emocionais, crescimento pessoal ou até mesmo meditações ativas, feitas durante corridas e caminhadas. 

Brain.fm

O Brain.fm usa conhecimentos de neurociência auditiva e inteligência artificial para personalizar uma lista de reprodução de músicas para obter foco, relaxamento ou sono. O aplicativo é pago, mas possui versão de teste com 5 utilizações gratuitas.

Forest: mantenha o foco

Forecast é um aplicativo de produtividade e promoção de impacto social. O app usa elementos de gamificação para manter o usuário longe das redes sociais enquanto precisa desenvolver uma tarefa. Ao iniciar o jogo, é plantada uma árvore, que cresce e dá frutos à medida em que o usuário se mantém afastado do celular ou computador. Ao fechar o aplicativo, a árvore morre, e você é obrigado a recomeçar. 

A desenvolvedora do app fez uma parceria com uma organização de plantio de árvores reais, para plantar árvores à medida que os jogadores gastam moedas do jogo. 

Pomodoro Timer Lite

Pomodoro é uma das técnicas de produtividade mais conhecidas em todos os mundo. O método permite o gerenciamento de tempo por meio de cronometragens de 25 minutos e pequenos intervalos. 

O Pomodoro Timer Lite é um aplicativo grátis de pomodoro que permite personalizar os intervalos de acordo com o perfil do usuário, com períodos curtos ou longos.

Buddihfy

Buddihfy é um app que oferece soluções baseadas em meditações diárias. Os desenvolvedores criaram um método chamado “meditação on-the-go”, que permite que o usuário atinja a atenção plena enquanto desempenha diversas atividades do dia a dia, como ao fazer refeições, se deslocar para o trabalho ou escovar os dentes.

As meditações duram de 4 a 30 minutos, e podem ser feitas por usuários inexperientes ou avançados.

Sanvelllo

O Sanvello acompanha a rotina do usuário, com análise do humor durante o dia, da qualidade do sono e da frequência de atividades físicas realizadas. Também traz aulas de meditação para momentos rápidos no meio do dia.

Cingulo

O Cingulo é um aplicativo de terapia guiada que busca ajudar no cuidado com saúde mental e emocional. Ele realiza testes de personalidade que traçam o perfil do usuário, além de trazer técnicas de autocontrole e autoconhecimento e exercícios para incluir na rotina. 

Space

Apontado pelo Google Play como um dos aplicativos mais essenciais para o cotidiano, o Space é um app e extensão desenvolvido para evitar o vício por celular e computador. Ele permite rastrear hábitos durante o uso da internet, para determinar um perfil comportamental e estabelecer metas de quebra de vícios. 

Há acompanhamento e compartilhamento de progresso diário. Também é disponibilizado um curso de 8 dias para solidificar as mudanças de hábitos.

Quality Time

Quality Time é um app que se propõe a promover um “detox digital”. Todas as atividades no dispositivo móvel durante um dia ou semana são monitoradas. 

Com base nos relatórios gerados, o usuário consegue avaliar quanto tempo é gasto em cada aplicativo e personalizar configurações para que o aparelho bloqueie outros apps depois de algum tempo de utilização diária.

Zen

Zen é um app que traz programas, exercícios, jornadas e cursos em formato de áudio, texto e vídeo, com a promessa de englobar áreas da Mente, Corpo e Alma. É umas alternativas mais indicadas para quem busca um aplicativo de meditação.

Seja trabalhando remotamente ou em escritórios, é imprescindível desenvolvermos nossa inteligência emocional e controlarmos nossa saúde mental. Dessa forma, evitamos o surgimento de burnout e outras síndromes ligadas ao trabalho que causem prejuízos físicos e psicológicos.

Confira o Clube da Leitura da Digilandia e veja recomendações de livros que ajudarão a se organizar no home office e manter a produtividade sem comprometer a saúde mental:

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