A pandemia de Covid-19 fez com que muitos setores da sociedade tivessem de se reinventar diante do novo contexto de isolamento social. Dentre esses segmentos, está o de atividades artísticas, o mais afetado economicamente por essa nova realidade pandêmica, segundo a Agência Brasil.  Para entender como a arte se adaptou à pandemia, é preciso compreender

A pandemia de Covid-19 fez com que muitos setores da sociedade tivessem de se reinventar diante do novo contexto de isolamento social. Dentre esses segmentos, está o de atividades artísticas, o mais afetado economicamente por essa nova realidade pandêmica, segundo a Agência Brasil. 

Para entender como a arte se adaptou à pandemia, é preciso compreender que esta seguiu em caminho semelhante ao de outros setores da sociedade, de virtualização dos processos e das interações, porém com algumas especificidades.

Foi o que disse Marcelo Eduardo Rocco de Gasperi, professor do Departamento de Artes Cênicas da UFOP, em entrevista para a Universidade Federal de Ouro Preto:

Devido à crise sanitária, houve a interrupção brusca das atividades artísticas ditas presenciais para a expansão de ações artísticas movidas pela virtualidade da cena

Nesse sentido, o teatro online se concretiza a partir dos processos de filmagem, de montagem, de edição e de exibição ao público por meio do uso de tecnologias digitais, sendo distribuída, pelas redes sociais e outras plataformas. 

Porém, não foi só o teatro que se adaptou a esse novo cenário de distanciamento social.  A adaptação da arte às plataformas digitais incluiu também outras áreas, como a de artes plásticas e a de concertos musicais. 

Veremos, a seguir, alguns dos exemplos que ilustram bem como a arte se adaptou à pandemia. 

3 exemplos de como a arte se adaptou à pandemia

Com a necessidade de cancelar eventos culturais presenciais devido à pandemia, foi preciso que os artistas e grupos artísticos adaptassem os espetáculos e atrações às diversas plataformas online. 

Essa foi uma medida necessária tanto para que os organizadores desses eventos pudessem sobreviver, quanto para levar leveza e contribuir para o bem-estar e saúde mental do público em geral, abalados devido aos tempos difíceis de confinamento. 

Veja a seguir três exemplos de como a arte se adaptou à pandemia nas diferentes áreas culturais.

Teatro

Antes um lugar de encontro, o teatro precisou se adaptar à pandemia, com as apresentações sendo realizadas por meio de videoconferências. 

Além da disponibilização por diversas companhias das suas peças de teatro para serem vistas online durante a quarentena, conforme esta lista elaborada pelo site Curadoria, as produções teatrais também tiveram de se reinventar ao novo contexto, com os espetáculos acontecendo por meio do Zoom, com os atores atuando em suas casas. 

Nesse ambiente, o ligar e desligar das câmeras fez as vezes de uma “coxia imaginária”: as narrativas vão se desenvolvendo e os atores ligam a câmera, fazem suas cenas em destaque, depois as desligam. 

2 exemplos de teatro online

Dois exemplos desse modelo de teatro online foram “A Arte de Encarar o Medo”, do grupo paulistano Os Satyros, e “Parece Loucura, mas Há Método”, da Armazém Companhia de Teatro, do Rio. 

Em “A Arte de Encarar o Medo”, dois atores perguntavam, no início, quais eram os medos do público, buscando a aproximação com a audiência por meio da interatividade na internet. A narrativa se passa 5.555 dias depois do início da quarentena em uma sociedade ainda em isolamento.

Já em “Parece Loucura, mas Há Método”, a interatividade aconteceu por meio da votação do público, que teve de escolher quem, dentre os nove personagens de Shakespeare, deveria continuar em cena. 

Um dos pontos positivos do teatro ocupar as tecnologias digitais foi a possibilidade de alcançar uma audiência maior ou um público que nunca teve oportunidade de ir a uma sala de teatro. 

Segundo a matéria no G1, o diretor d’Os Satyros conta que na sala no Zoom era possível receber até mil pessoas, enquanto na sala física do teatro cabiam apenas 60 pessoas presencialmente. 

Também o modelo de teatro online se configura como uma alternativa financeira viável para os tempos difíceis de pandemia, visto que é possível cobrar ingresso pela participação do público. 

E já que estamos falando de atividades adaptadas à pandemia, confira também:

Artes Plásticas

Outro exemplo de como a arte se adaptou à pandemia foi o caso da artista plástica Gabriella Marinho, que, durante o período de confinamento, apresentou uma oficina virtual de introdução à cerâmica, conforme conta esta matéria do jornal O Dia

O objetivo da iniciativa, parte do projeto “Arte na Rede”, da Secretaria das Culturas e da Fundação de Arte de Niterói, foi levar, por meio das redes sociais, apresentações artísticas virtuais gratuitas e acessadas pelo público no conforto de seus lares. 

A oficina abordou o contraponto entre tecnologia ancestral, industrialização e padronização de feituras que corriqueiramente perdem traços identitários e culturais.

Além da realização de oficinas como esta, museus, galerias e outros artistas plásticos e visuais buscaram adequar suas exposições a diferentes plataformas digitais. 

Algumas dessas instituições optaram por reproduzir fotos do acervo em alta resolução, acompanhadas de texto descritivo sobre obra e autor e apresentá-los em seu próprio site ou nas redes sociais, criando assim um modelo de exposição virtual.

O boom das transmissões ao vivo 

Os tradicionais eventos de abertura de exposições passaram a ser no formato live streaming, ou transmissões ao vivo, em redes sociais, como Instagram, Facebook ou Youtube, na busca por divulgar e atrair a audiência a apreciar as obras virtualmente.

Houve ainda espaços que foram além e desenharam uma experiência mais imersiva ao adaptarem suas exposições ao formato de online viewing rooms (salas de visualização online). 

Esse modelo de exibição reproduz digitalmente em 3D um espaço de exposição, permitindo ao público navegar pelo espaço, observando as obras de diferentes ângulos.

Um exemplo de exposição virtual utilizando esse formato foi a mostra coletiva da Photoarts Gallery, que reuniu fotografias de diversos artistas em uma galeria digital, conforme é possível ver no vídeo abaixo.

Na visita virtual à galeria, a pessoa pôde “andar” pelo ambiente projetado e, ao ativar o áudio, ouvir o som ambiente. Também com apenas alguns cliques era possível obter informações sobre o autor, descrição da obra, de forma escrita ou por meio de áudio do próprio autor.

Música

Não é segredo para ninguém que concertos de música envolvem aglomerações de pessoas, justamente uma das proibições dentre as medidas para evitar a disseminação da Covid-19. 

Assim, o terceiro exemplo de como a arte se adaptou à pandemia, foram as lives realizadas pelos artistas e grupos musicais durante o período de isolamento social, tanto por meio das plataformas de redes sociais, como o Instagram e o Facebook, quanto por meio de seus canais no Youtube. 

Houve até a realização de festivais beneficentes, inteiramente virtuais, para arrecadação de fundos para o combate da doença. 

Dentre eles, está o iHeart Living Room Concert, exibido em 29 de março de 2020, que contou com apresentações de artistas de diferentes gêneros musicais, como Elton John, Alicia Keys, Camila Cabello, Billie Eilish, H.E.R. e Mariah Carey, direto de suas próprias casas.

Antes desse evento, houve outro festival beneficente, o One World: Together At Home, exibido no dia 18 de abril do mesmo ano. 

O evento reuniu apresentações de artistas e depoimentos de líderes mundiais e outras personalidades de suas casas para levantar fundos contra a pandemia de Covid-19 e proteger as comunidades vulneráveis.

Os eventos musicais  também bombaram em terras tupiniquins

No Brasil, houve iniciativas semelhantes com a participação tanto de artistas famosos quanto de independentes. As apresentações foram transmitidas de suas próprias casas e geralmente sem bandas, para não precisarem abandonar a quarentena.

Uma dessas iniciativas foi o Festival Música em Casa, realizado de 20 a 29 de março de 2020, com a participação de artistas como Sandy, Atitude 67, Jão e Di Ferrero. As apresentações tiveram duração de até 30 minutos e foram transmitidas pelo perfil do festival no Instagram. 

Por falar em festivais musicais, você conhece a história da música ou, já que abordamos há pouco festival brasileiro, a história da MPB? Você encontra essas e outras histórias em blogs especializados, como o Artcetera

Como foi possível ver, as plataformas digitais tiveram um papel central em como a arte se adaptou à pandemia. Você chegou a assistir a algum show ou peça teatral de forma online? Conte para nós nos comentários!

Comentários

Salvar